domingo, 11 de setembro de 2016

SOBRE A LIBERDADE DE SER QUEM VOCÊ É...

Dias atrás recebi duas mensagens, em "Off", de amigos de contextos diferentes e estados diferentes. Uma dizia: "Adoro os seus post..." A outra: "Você se expõe demais, não tem medo?!"
Bem diferentes, né?!
Fizeram-me refletir esses dias...
Agora, a minha resposta...
Obrigada a você, que mesmo não concordando, vez ou outra, com os meus pensamentos e bandeiras de luta, vive a contemplação do que é mais verdadeiro em mim... E se sou verdadeira, sou falha, cheia de erros, mas, também, cheia de esperança, de ousadia poética e literária, de deixar ecoar o mosaico das pessoas em mim, as quais foram tecidas no imaginário cultural de minha vida, pelas experiências, quedas e vitórias que vivi...
A você que disse que me exponho demais e, por fim, perguntou-me se não tenho medo... Bom, o que tenho a dizer é que, a esta altura da vida, tendo em mente tudo o que vivi, de bom e de ruim, dos ciclos que tive de fechar para poder sobreviver mentalmente, dos projetos de vida reformulados, NÃO, não tenho medo e nem me permito a tê-lo... O medo é diabólico, corta as suas asas, cria outros tantos demônios e divisões dentro e fora... Não, não tenho medo! Meus pensamentos e minhas bandeiras de luta não os posso esconder... Minha alma poeta, que tudo inclui e nada se faz perder, não a posso desconsiderar... Meu espírito libertário, meu senso de justiça, não os posso sufocar... Meu espírito feminino (não feminista, pois para mim, feminista tem cheiro de patriarcal e matriarcal, e sou pela experiência matrística, que valoriza a essência feminina, seu potencial como mulher, sua valorização numa sociedade de espírito matrístico, que não a vê simplesmente como um objeto de reprodução e serviçal), pois é, este espírito feminino de resistência tão menos posso deixar no vácuo social...
Enfim, como já disse outras vezes, o diferente não me causa medo. Assusta-me o indiferente. Agora sim, posso dizer um medo que tenho.
Também o acolherei na sua diversidade de pensamento, de visão de mundo. Encontraremos, eu e você, o ponto do equilíbrio da convivência... O resto, Deus faz!
Sim, tenho espírito revolucionário, questionador e lutador! Mas converso com o Cara lá de cima! E tem horas que o questiono também e Ele me acolhe assim, tão terra, tão chão, ousando olhar para o céu... Ora brisa, ora furacão...
Eu o sinto na natureza. Eu o escuto nos sinais, no diálogo com o outro. Ele também me questiona. Ele me provoca a olhar a dor do outro e a não ser indiferente. Ele me fala baixinho que não posso excluir ninguém... Tenho que fazer silêncio dentro para escutá-lo, porque, ao nosso redor, a gritaria social acaba por apedrejar gays, lésbicas, índios, negros, camponeses, nordestinos, nortistas, mulheres, quem diverge da direita na Política, quem é pobre, quem é desempregado, quem é estrangeiro, quem é jovem, e tantos outros...
Sim, Ele me questiona muito, provoca-me mais ainda e, muitas vezes, tem a cara de pau (por favor, perdoem minha intimidade com Deus) de me pedir para dar a cara a bater... E ainda me lembra o ensinamento de seu Filho: "Ao que te bate numa face, oferece-lhe igualmente a outra" (Lc 6,29)... Ele diz que é nobreza de espírito. Sim, é nobreza mesmo, porque tem horas que dá vontade é de mandar se F%*&# mesmo ou plantar coquinho...
Então, deu para perceber que, mesmo em minha Fan Page, a qual posso enfeitá-la ou deixá-la mais sublime, bonita e polida para os outros verem, não posso deixar de ser quem sou? Sou eu em tantas de mim, com tantos outros que reconheço e com os (e pelos quais) luto!
Sou eu no meu direito de SER LIVRE! E Deus me ama assim! Não é ofensa, é resgate da minha história e da história dos demais! Se isso causar-me consequências, só reforçará aquilo que combatemos: o sistema é opressor, saúda os que se escondem e exalta os calados!
Quanto a mim, calar é um "direito" que não escolhi...
Abraço de Luz!

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