domingo, 24 de julho de 2016

"EU QUERO UM POUCO DE MALANDRAGEM"


"Eu só peço a Deus um pouco de malandragem"... Por meio da arte,  vamos colocar para fora a agonia que nos atormenta... Não alimentemos os estereótipos femininos que tiram nossa expressão de ser, nosso jeito mulher de ser tantas coisas ao mesmo tempo. 

#BelaRecatadaeDoLar

BELA, RECATADA E DO LAR???

Elis da Luz, Brasília, 2016.

LIVRO! QUAL SUA HISTÓRIA DE AMOR?!

Arquivo fotográfico de Elis: Eu amo livro, Brasília, 2016.


QUE TAL PARTILHARMOS COMO O LIVRO TORNOU-SE UM "BRINQUEDO" PRECIOSO EM NOSSAS VIDAS?


Eu começo (rsrs, alguém tem que começar, né?!)!

Quando criança, no Fundamental I, tínhamos o hábito de passar uma hora na biblioteca para interagir com a bibliotecária e passear pelas prateleiras de livros, sentar nas almofadas e ler o livro escolhido do momento...
Na adolescência, com muito sacrífico, meu pai comprou a prestação aquela biblioteca (do lar) da Editora conhecida com o nome deste mês atual (rsrsrs)... Ajudou muito, sobretudo com nossos trabalhos escolares... Conheci Machado de Assis, Maquiavel e tantos outros...
Ainda na adolescência, meu intervalo do lanche era consumado na biblioteca. Presença assídua e de carteirinha... Num ato compulsivo, li todos os livros de José de Alencar, me encantei por todas as mulheres por ele retratado... E daí a lista foi só aumentando... Os livros se tornaram aquela janela que me transportava para mundos diferentes e distantes... 
Já na fase dos 26 anos, teve um livro que mexeu muito comigo. "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiévski. Foi surreal, lendo o livro, na parte do crime (que não vou contar), senti-me cúmplice de Raskólnikov... Ou seja, mergulhei tanto na leitura que me vi ali na sala com ele... Ainda bem que entrou Sophia na história, hahaha...
Resultado dos livros que li... Viajei muito, conheci mundos novos, fiz e faço outras leituras possíveis do mundo onde estou imersa, me apaixonei por leitores sábios e interessantes e não por homens considerados lindos e constatadamente vazios... 
Enfim, que este bem patrimonial que é o livro continue a encontrar espaço em nossas mãos, em nosso coração e mente...
E se um dia queimarem todos os livros do mundo, bem-aventurados os leitores, pois eles serão seus guardiões, levando-os dentro de si, nas páginas lidas e relidas!
E aí? Qual é a sua história?

Abraço de Luz! 

SOBRE A MATERNIDADE...


Arquivo fotográfico de Elis: Elis e Gabriel, Roraima, 2013.


Sim, já faz algum tempinho que venho estudando a possibilidade da adoção. Escuto muitas vozes favoráveis e outras tantas contrárias. Todas elas, favoráveis ou contrárias, com seus argumentos legítimos.
Adoção é coisa séria. Mas, colocar um filho no mundo também! O que une ambas as situações é esta palavra: maternidade! Uma palavra que comporta um compromisso de empenho e cuidado para com um "serzinho" que está sob responsabilidade... E para isso, não importa se foi gerado no útero ou se foi gerado no coração. 
Segundo Humberto Maturana, esta dimensão do ser é algo tão superior que transcende a ideia do masculino e do feminino, de muitos estereótipos que carregamos. Por isso, pensei eu, dizemos que Deus é Pai-Mãe!
Fiz um pedido a Deus: "se neste mundo, existe uma pessoinha precisando sentir-se amado como filho, aqui estou, Senhor! Também quero ser adotada por este coraçãozinho! Quem sabe, não será ele a me dar a vida, mais do que eu a ele!"
Poetas são fenomenológicos...
Dias desses, em meio a correria do aeroporto, tive que parar para escutar os risos altos de um menino. Procurei-o ao meu redor... Nada. E minha alma vibrava de felicidade por aquela experiência de sapequice... Falei comigo: "a Poesia está nascendo!"... Imediatamente, peguei uma caneta e o primeiro papel que apareceu na minha frente... Não podia deixar passar aquele momento de transe poético. E o voo? Dei preferência a todos para que passassem na minha frente, no portão de embarque...
Assim, nasceu esta poesia, a que chamo de "Poesia ao meu filho que ainda não veio"... E quando eu for adotada por ele, direi o dia em que ele foi concebido em meu coração!

Poesia ao meu filho que ainda não veio

Meu espírito lhe vê assim tão moleque, tão brincalhão,
tão genioso também, tão cheio de vontade própria que chega a irritar até este coração afetuoso que tanto lhe desejou.

Vejo-me na dança harmoniosa do universo, onde, 
neste mundo, só basta eu e você...
E neste vórtice da vida, nossas histórias, nos minutos do universo, 
passam lentamente, tal e qual um videotape desacelerado...

Amo você assim, ser pequenino que meu espírito vê. 
E você me ama assim, tão cheia de defeitos, de cicatrizes na alma,
e, mesmo assim, faz-me sentir a mais bela das mulheres.

Meu espírito lhe vê e meu corpo quer lhe sentir
para voltar a ser criança nos seus balbucios, nos seus passos correndo de lá para cá, nos seus olhos de reinvenção do mundo ao seu redor.

Amo-te, meu filho, que ainda está para chegar!
Mamãe Elis

Aos amigos e às amigas que leram este texto,
Abraço de Luz!

SOBRE A DELICADEZA DE DEUS

Arquivo fotográfico de Elis, Roraima, 2015.


Sim, hoje, pensei e viajei no pensamento sobre a delicadeza de Deus em nossa vida, em minha vida! Ele é o cara mais delicado que chega a se tornar tão invisível em nosso caminhar... E nesta sua invisibilidade corremos o risco de nos sentirmos poderosos, tão senhores da vida e de tudo, até de Deus. 
Sim, Deus é o cara! Ele respeita meu tempo e desacordos do tempo. Ele não grita! Sim, ele é o cara!
Hoje, eu o vi na cumplicidade de amigos, no olhar de confiança do outro, na boa conspiração de querer fazer valer o bem no mundo, nem que seja dando a cara para bater... Cristo também levou bofetões e cusparadas...
Fechei os olhos do corpo. Abri os olhos da alma interior. No sacrário interior, falei com Deus: É cara, tu és o cara! Transborda o nosso coração de amor por ti para que te amemos nos outros, nos nossos irmãos. E tu és o cara esperto, das delicadezas que sentimos de ti, outra coisa não é que um envio enfático de ser presença amorosa de Deus na vida dos irmãos marginalizados, dos pobres, os prediletos do Reino. Do contrário, seria egoísmo."
Amor assim só pode partir de um louco... Então, Deus é o cara mais louco que conheço. E se ele ama loucamente o homem, quem sou eu para hesitar. Hoje, amar aos irmãos requer ousadia na fé e na vida, ou seja, na loucura de Deus vou me tornando louca também. Vida morna é vida vomitada, já dizia as páginas do Apocalipse. Aos que amam reconhecendo Deus nos pequenos, acabam por ser considerados loucos por levantarem a voz contra o sistema excludente, por ousarem gritar nas ruas contra o império romano de hoje, por não serem só expectadores do destroçar de vidas alheias, as quais estão ligadas a minha pessoa neste mundo. Sou louca até para os meus irmãos de fé, os mais próximos e chegados. Sou louca por não responder ao amor como eles respondem, por não seguir seus rituais de amor, por não usar seus vocabulários de amor... 
Salva-nos que o amor de Deus, o cara e o louco, é criativo até o infinito. Tantos loucos em sua morada. Então, vou seguindo com minha loucura e Deus com suas delicadezas.
Para levar tantos tapas na cara e na alma, do mundo que não me reconhece, só é possível viver assim por causa das tais delicadezas de Deus em nossa trilha... Jesus, com o legado de sua vida e morte-ressurreição desamarrou todo o julgo que estava sobre nós, alimentou nosso protagonismo com o envio de seu Espírito Santo.
Feliz de quem tem olhos para colher no dia a dia as delicadezas de Deus, do cara louco e apaixonado... Feliz de quem o encontra no outro, sobretudo naquele outro que me pede o pão, o pão da partilha, para que, na partilha do pão, eu me torne sua companheira (con-pane).

Abraço de Luz com as delicadezas de Deus!

CECÍLIA

Arquivo fotográfico de Elis: Cecília, 2016.


Hoje, a Poesia veio me visitar na imagem da menina que dorme.
Rimou abandono, confiança e ternura.

De um lirismo puro e inocente, de um jeito que deixa o poeta sem palavras e rimas...

Ai, menina do sono bonito, dá-me um pouquinho da tua confiança!
Do sono que rouba olhares e nos conecta diretamente com Deus!
Menina que fala do amor de Deus até dormindo!

Amo-te e deixo a Poesia ao teu lado para fazer honra ao Criador, que te criaste tão bela e tão singela.


SOBRE CELEBRAR A ANCESTRALIDADE

Arquivo fotográfico de Elis.


Tem horas que o coração fica sufocado porque os olhos do corpo se deparam com visões que dói a alma, como fecha a rasgar a carne...
Tem horas que o coração fica sufocado quando seus olhos da alma veem as armadilhas que outros preparam para você, tal e qual canaimé... 
Tem horas que o coração fica sufocado quando seus ouvidos escutam Pachamama a lhe confessar tempos difíceis, desventura causada por aqueles que realmente não lhe conheceram na essência de seu agir, mas lhe rotulam por aquilo que eles conhecem... 
Tem horas que o coração fica sufocado porque entramos na mata fechada da ignorância humana, do preconceito, da presunção eurocêntrica, do machismo...
E com tanta dor, acabamos esquecendo quem somos e para quê viemos!
Ainda bem que Uirapuru canta na floresta... Com seu canto mágico desperta-nos da dor que cega...
Livre pelo canto do Uirapuru, reconheço-me tão índia e tão bela... Minha ancestralidade tem raiz na cosmovisão indígena... 
Sim, minha alma índia recorda que minha ancestralidade não é submissão da dor, mas é resistência de guerreiro...
Azar dos canaimés machistas e eurocêntricos... Suas armadilhas se desmancharão com o Sol de Tupã...
Suas inteligências serão fechas lançadas no vazio, me protege minha Mãe Terra, Pachamama...
Suas falas ocultas serão reveladas pelo Vento Norte que aos meus ouvidos canta uma canção de ninar...
Sou filha da Terra... Sou filha de Tupã... 
Sou urucum, corpo pintado de vermelho para a celebração, para festa, mas também para guerra...
Salve minha ancestralidade, de meu avô Paulo e minha avó Tereza.
Salve minha ancestralidade que acalma minha alma com a vibração dos espíritos dos guerreiros e das guerreiras da mata verde.
Amo minhas raízes indígenas!
Viva a luta! Viva a resistência! Viva a Poesia! Viva Pachamama! Viva Tupã! Viva a vitória dos guerreiros de urucum!

Abraço de Luz!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Quem canta seus males espanta!


Moço, deixa eu falar!
Moço, deixa eu cantar!
Quem canta espanta seus males da alma e do coração!

Moço, deixa eu soltar a voz que anda presa aqui... Nas notas bucólicas, no meu momento brega...
Moço, deixa a viola tocar e disfarçar, com suas notas, a voz que estremece pelo choro contido.
Moço, deixa eu soltar o passarinho que vive em mim e quer voar...