domingo, 24 de julho de 2016

SOBRE A MATERNIDADE...


Arquivo fotográfico de Elis: Elis e Gabriel, Roraima, 2013.


Sim, já faz algum tempinho que venho estudando a possibilidade da adoção. Escuto muitas vozes favoráveis e outras tantas contrárias. Todas elas, favoráveis ou contrárias, com seus argumentos legítimos.
Adoção é coisa séria. Mas, colocar um filho no mundo também! O que une ambas as situações é esta palavra: maternidade! Uma palavra que comporta um compromisso de empenho e cuidado para com um "serzinho" que está sob responsabilidade... E para isso, não importa se foi gerado no útero ou se foi gerado no coração. 
Segundo Humberto Maturana, esta dimensão do ser é algo tão superior que transcende a ideia do masculino e do feminino, de muitos estereótipos que carregamos. Por isso, pensei eu, dizemos que Deus é Pai-Mãe!
Fiz um pedido a Deus: "se neste mundo, existe uma pessoinha precisando sentir-se amado como filho, aqui estou, Senhor! Também quero ser adotada por este coraçãozinho! Quem sabe, não será ele a me dar a vida, mais do que eu a ele!"
Poetas são fenomenológicos...
Dias desses, em meio a correria do aeroporto, tive que parar para escutar os risos altos de um menino. Procurei-o ao meu redor... Nada. E minha alma vibrava de felicidade por aquela experiência de sapequice... Falei comigo: "a Poesia está nascendo!"... Imediatamente, peguei uma caneta e o primeiro papel que apareceu na minha frente... Não podia deixar passar aquele momento de transe poético. E o voo? Dei preferência a todos para que passassem na minha frente, no portão de embarque...
Assim, nasceu esta poesia, a que chamo de "Poesia ao meu filho que ainda não veio"... E quando eu for adotada por ele, direi o dia em que ele foi concebido em meu coração!

Poesia ao meu filho que ainda não veio

Meu espírito lhe vê assim tão moleque, tão brincalhão,
tão genioso também, tão cheio de vontade própria que chega a irritar até este coração afetuoso que tanto lhe desejou.

Vejo-me na dança harmoniosa do universo, onde, 
neste mundo, só basta eu e você...
E neste vórtice da vida, nossas histórias, nos minutos do universo, 
passam lentamente, tal e qual um videotape desacelerado...

Amo você assim, ser pequenino que meu espírito vê. 
E você me ama assim, tão cheia de defeitos, de cicatrizes na alma,
e, mesmo assim, faz-me sentir a mais bela das mulheres.

Meu espírito lhe vê e meu corpo quer lhe sentir
para voltar a ser criança nos seus balbucios, nos seus passos correndo de lá para cá, nos seus olhos de reinvenção do mundo ao seu redor.

Amo-te, meu filho, que ainda está para chegar!
Mamãe Elis

Aos amigos e às amigas que leram este texto,
Abraço de Luz!

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