domingo, 24 de julho de 2016

SOBRE CELEBRAR A ANCESTRALIDADE

Arquivo fotográfico de Elis.


Tem horas que o coração fica sufocado porque os olhos do corpo se deparam com visões que dói a alma, como fecha a rasgar a carne...
Tem horas que o coração fica sufocado quando seus olhos da alma veem as armadilhas que outros preparam para você, tal e qual canaimé... 
Tem horas que o coração fica sufocado quando seus ouvidos escutam Pachamama a lhe confessar tempos difíceis, desventura causada por aqueles que realmente não lhe conheceram na essência de seu agir, mas lhe rotulam por aquilo que eles conhecem... 
Tem horas que o coração fica sufocado porque entramos na mata fechada da ignorância humana, do preconceito, da presunção eurocêntrica, do machismo...
E com tanta dor, acabamos esquecendo quem somos e para quê viemos!
Ainda bem que Uirapuru canta na floresta... Com seu canto mágico desperta-nos da dor que cega...
Livre pelo canto do Uirapuru, reconheço-me tão índia e tão bela... Minha ancestralidade tem raiz na cosmovisão indígena... 
Sim, minha alma índia recorda que minha ancestralidade não é submissão da dor, mas é resistência de guerreiro...
Azar dos canaimés machistas e eurocêntricos... Suas armadilhas se desmancharão com o Sol de Tupã...
Suas inteligências serão fechas lançadas no vazio, me protege minha Mãe Terra, Pachamama...
Suas falas ocultas serão reveladas pelo Vento Norte que aos meus ouvidos canta uma canção de ninar...
Sou filha da Terra... Sou filha de Tupã... 
Sou urucum, corpo pintado de vermelho para a celebração, para festa, mas também para guerra...
Salve minha ancestralidade, de meu avô Paulo e minha avó Tereza.
Salve minha ancestralidade que acalma minha alma com a vibração dos espíritos dos guerreiros e das guerreiras da mata verde.
Amo minhas raízes indígenas!
Viva a luta! Viva a resistência! Viva a Poesia! Viva Pachamama! Viva Tupã! Viva a vitória dos guerreiros de urucum!

Abraço de Luz!

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